| Devido
a iniqüidade crescente em nossos dias, e eu faço questão
de falar “iniqüidade”, pois esta palavra está
diretamente relacionada à ação humana de
maquinar a maldade sobre seu próximo. Esta palavra significa
“grande
injustiça, crime ou perversidade”. É quando
a pessoa faz uma maldade premeditadamente, isto torna a culpa
mais
acentuada. Como vimos em nosso texto (v. 7), existe a possibilidade
de “tomarmos” o nome do SENHOR “em
vão”. Mas o que significa isto? De que forma eu posso
estar “tomando” o nome do SENHOR “em vão”
em
minha vida? Precisamos estar atentos, pois o texto diz que o SENHOR
não “deixará impune” quem fizer tal
coisa. Entre outras coisas, quero apresentar duas atitudes que
nos leva a tomar o nome do SENHOR em vão e a
sua conseqüência:
A primeira atitude é o engano.
Uma tradução literal desta primeira parte do v.7
seria “não levantarás o nome do SENHOR, teu
Deus, para o
engano”. A palavra traduzida de modo geral como “em
vão”, no texto hebraico trás um forte sentido
de
“engano”. Isto faz com que o sentido do texto fique
muito mais próximo das práticas humanas do que apenas
um
discurso moralista. Encontramos o engano descrito nos textos dos
profetas Oséias 12.7 e Amós 8.5. Tais textos
falam do uso de balanças enganosas. Isto faz sentido, já
que o termo hebraico traduzido por “tomarás”
significa
“levantarás” (Não levantarás
o nome do SENHOR). Este levantar significa “levantar a voz”,
como numa
discussão, numa discussão por peso, por exemplo.
Isto nos leva a pensar no que estamos enganando as outras
pessoas, seria no peso? No troco errado? Na cobrança indevida?
Na falsa acusação ou falso testemunho? Tudo
isso é “levantar o nome do SENHOR para o engano”.
Agora, vejamos a segunda atitude:
A segunda atitude é a falsidade.
O mesmo termo traduzido por “em vão” ou por
“engano”, pode ser traduzido também como “falsidade”,
desta
forma nosso texto ficaria “não levantarás
o nome do SENHOR, teu Deus, para a falsidade”. Isto nos
leva para
outro caminho que é agir com falsidade com nosso irmão
ou com pessoas não-crentes. Faz referência aos
juramentos realizados pelos israelitas no período da monarquia.
O povo podia jurar em nome do SENHOR. O
nome de Javé era utilizado pelos sacerdotes em celebrações
cúlticas e nas bênçãos sacerdotais,
também poderia
ser utilizado pelo povo nos juramentos. Era possível jurar
em nome de Javé, e há uma lei em Levítico
sobre
juramento em nome de Javé, Lv 19.4. Em Isaías 48.1
e Zacarias 5.4 falam de juramentos falsos. Nós diversas
vezes agimos com falsidade com nosso próximo. Falamos mal
dele quando está distante, mas quando está em
nossa presença, falamos “que bom que você está
aqui!”, ou quando pedimos para falar que não estamos,
quando
o telefone toca. Pior ainda, é quando agimos com falsidade
em nome do SENHOR. Quando falamos que Deus
disse algo, sendo que ele não disse nada. Ou falamos em
nome do SENHOR para nosso próprio proveito.
A Conseqüência é “não ficará
sem punição”.
A expressão “não tomará por inocente”
pode ser traduzida por “não deixará impune”.
Este tempo verbal
hebraico, está ligado a ação do SENHOR. Somente
ele pode trazer tal punição. Ou seja, quem tomar
as atitudes
que vimos anteriormente, receberá uma punição
do SENHOR. O texto não deixa claro qual o tipo de punição,
fala somente que tal pessoa não ficará impune. Também
não mostra qual o tempo da punição ou em
qual época
ela será aplicada, o fato é que a punição
certamente virá, e virá do SENHOR.
Concluindo...
O nome de Javé tornou-se o centro da religiosidade hebraica,
é na revelação do seu nome que a história
da
religião de Israel começa a tomar forma. Era no
nome de Javé que se ia para a guerra, que ministravam as
bênçãos, que se faziam juramentos, que se
ofereciam os sacrifícios, na fronte do sacerdote estava
uma inscrição
que dizia: “santidade ao SENHOR”. No pós-exílio
a reverência e o respeito ao nome do SENHOR se
intensificou, ao ponto de nem sequer o pronunciarem mais. Os escribas
tinham ritos especiais para escreverem o
nome do SENHOR nos manuscritos, Jesus Cristo em sua oração
ensinou sobre o SENHOR, “Santificado seja o
teu nome”. Jesus fez conhecido o nome do SENHOR ao povo
e a nós hoje. A igreja cristã muitas vezes não
tem
o devido respeito com o nome de Javé, falamos o nome dele
de maneira vã, sem propósito, fazemos piadas
envolvendo o seu nome, juramos em seu nome falsamente e não
damos a devida reverência ao seu nome.
Precisamos estar atentos para não premeditarmos o engano
em nome do SENHOR, para levarmos vantagens
com o prejuízo de outras pessoas. Pois o SENHOR não
deixará impune o que levantar seu nome em vão.
Questões para Compartilhamento:
1) Você alguma vez já jurou falsamente em nome de
Deus, usando a expressão “eu juro por Deus”?
2) Alguém já agiu com falsidade tentando enganar
você? Qual a sua reação diante isso?
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